ILHA DO BANANAL: ENTRE A SITUAÇÃO DE RUA E A COMUNIDADE NÔMADE

                                           Eliete Borges Lopes[1]

RESUMO

A tese de que existe em Cuiabá uma comunidade em situação de rua que habita a Ilha do Bananal no Centro da Cidade e que esta comunidade possui uma auto-organização a partir dos arte-fatos e afetos que mobilizam foi defendida em 2016 e é um enfrentamento à questão de como a rua tem sido tratada na Cidade de Cuiabá, diga-se de passagem, não tem havido políticas para esse setor. Este fenômeno foi descrito a partir da pesquisa de campo exploratória e contou com o diálogo com moradores em situação de rua e descrição dos fenômenos que compõem a comunidade que habita a Ilha do Bananal. Os arte-fatos e afetos são uma maneira de dizer de toda uma cultura material e imaterial que envolve a vida da população em situação de rua que habita a Ilha do Bananal. A principal interlocutora do trabalho foi Andreia, a Cheirosa, que morreu este ano. A pesquisa revela que mesmo vivendo sob égide da vulnerabilidade a comunidade da Ilha do Bananal consegue resistir frente a fenômenos como a pobreza e a violência. O trajeto de pesquisa desenvolveu-se a partir do fenômeno de interação entre a população em situação de rua e os diversos elementos presentes na comunidade, quer seja, a dimensão arquitetônica, os graffits e atos performativos da vida na rua. As dimensões de apropriação e transformação da cultura e da própria vida através dos arte-fatos e afetos presentes na comunidade garantem o habitar a rua como processo de resistência e dão indicativos da possibilidade de uma episteme nova para o entendimento da perspectiva da população em situação de rua. Uma episteme das ruas e sobretudo uma episteme das ruas do Sul começa a se insinuar numa trajetória em que a população em situação de rua como protagonista do processo de habitar a rua deixa ver sua potência crítico-educativa.

PALAVRAS-CHAVE: Comunidade de rua. Políticas públicas. Cultura. Episteme.

ABSTRACT

The thesis that exists in Cuiaba a street community that inhabits the Bananal island in the Centre of the Town and that this community has a self-organization from art facts and affections that mobilize was defended in 2016 and is a confrontation on the question of as the street has been treated in the city of Cuiabá, incidentally, there have been policies for this sector. This phenomenon was described from the exploratory field research and dialogue with residents in street situation and description of the phenomena that make up the community that inhabits the Bananal island. The art-facts and affections are a way of saying to all tangible and intangible culture that surrounds the life of the street population that inhabits the Bananal island. The main subject of this work was the Smelliest Andreia, who died this year. The survey reveals that even living under aegis of the vulnerability the community of Bananal island can resist in front of phenomena such as poverty and the violence. The search path developed from the phenomenon of interaction between the population and the various elements present in the community, whether the architectural dimension, the graffits and performative acts of life on the street. The dimensions of appropriation and transformation of culture and life through art-facts and emotions present in the Community guarantee inhabit the street as process of resistance and give indications of the possibility of a new understanding of episteme perspective of the street population. An episteme of streets and above all an episteme South streets begins to insinuate a trajectory in which the street population as protagonist of the process of inhabiting the street let me see your critical power-educational.

KEYWORDS: Street Community. Public policies. Culture. Episteme.


[1] Doutora em Educação – UFMT

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